• Fluorescência de Raios X

    A fluorescência de raios X (XRF - X-Ray Fluorescence) é uma técnica de análise não destrutiva, que vem sendo muito utilizada em arqueometria para investigar a composição elementar dos materiais e pigmentos presentes nas obras. Neste caso será utilizada para caracterizar os pigmentos presentes nas pinturas de cavalete analisadas. Na análise de fluorescência de raios X os fótons de raios X de um tubo de raios X interagem com os elétrons orbitais de um átomo, de material do objeto a ser analisado, e são retirados de um orbital mais interno, criando uma vacância, promovem estes elétrons para níveis excitados no rearranjo eletrônico esta vacância será preenchida por um elétron de um orbital mais externo e nesta transição emitem raios X característicos dos elementos presentes na amostra. Por ser uma técnica de análise elementar, a fluorescência de raios X não identifica a composição química dos compostos presentes na amostra, apenas seus elementos constituintes.

    Análises por fluorescência de raios X realizadas em pinturas de cavalete

  • Fotografia com Luz Visível

    As fotografias com luz visível permitem registrar as imagens reais da pintura com alta qualidade e foram obtidas com uma câmera digital com sensor de CCD e de 10,7 Mega Pixels. A iluminação foi realizada com luz contínua, neste caso, duas lâmpadas halógenas de 3200 K de 1.000 W cada uma, incidindo aproximadamente a 45° no objeto.

  • Reflectografia de Infravermelho (IR)

    É uma técnica óptica não destrutiva na qual a imagem é obtida por meio de uma câmera digital com sensor CCD e filtro IR, acoplado à lente. Nas medidas de IR utilizaram-se fontes de luz contínua para iluminação, consistindo de dois feixes halógenos de 3200 K de 1.000 W cada um, incidindo também no objeto a 45°. Foi utilizada uma câmera digital de alta resolução operando entre as faixas do espectro UV, luz visível, e IR com comprimento de onda de 380nm a 1.000nm. As imagens observadas resultam da conjunção dos fenômenos de reflexão, absorção e transmissão da camada superficial, revelando peculiaridades escondidas. A visualização dos desenhos depende de dois aspectos: contraste e transparência. O contraste está relacionado ao material utilizado no desenho subjacente e à refletividade com a base de preparação. A transparência está relacionada com a camada pictórica e depende da composição dos pigmentos. Quando o meio para desenhar é à base de carbono, a absorção do IR é alta e aumenta a diferença da refletividade com a base de preparação. Neste caso é possível que o desenho seja bem visível, mesmo que a capa pictórica seja pouco transparente.

  • Fotografia de Fluorescência Visível com Radiação Ultravioleta (UV)

    Nesta técnica fotográfica registra-se a fluorescência gerada pela radiação de UV que incide na pintura. Essa radiação UV incidente tem a propriedade de excitar as moléculas das substâncias presentes no material. Consequentemente, há emissão imediata dessas com radiações distintas daquela radiação incidente. A fosforescência também pode ocorrer nesse processo de excitação, mas é muito mais lenta do que na fluorescência, podendo durar alguns segundos ou mais. A fluorescência e a fosforescência ocorrem, sobretudo, em compostos orgânicos, sendo raras nos inorgânicos. Deste modo permitem visualizar informações superficiais da camada pictórica, revelando fungos, rasgos, craquelamento e fissuras na policromia e áreas retocadas. As diferenças entre a pintura original e as áreas de retoque ficam evidenciadas pela fluorescência UV, pois os retoques que foram aplicados muito tempo depois da elaboração da pintura possuem coloração diferenciada, sobretudo, quando executados sobre um verniz residual. Nas medidas UV realizadas utilizam-se quatro feixes de luz UV, Granilight, de 40 W cada, e um filtro acoplado à lente num ambiente escuro.

  • Radiografia Digitalizada

    O exame radiográfico, com imagem digitalizada, pode auxiliar a avaliar o estado de conservação de uma determinada obra e revelar características peculiares como estrutura do objeto, pinturas subjacentes, alterações e danos (emendas, recortes, etc.), localização de pregos, cravos e em alguns casos identificação do processo de montagem da obra.

    Ao atravessar o material analisado, o feixe de raios X sofre um processo de atenuação e este efeito ocorre de modo distinto e está relacionado à energia do feixe incidente, composição, espessura e à densidade do material. O resultado é obtido através de uma imagem em tons de cinza devido aos vários fatores de atenuação. No caso de uma pintura de cavalete cujas espessuras são uniformes, as regiões escuras observadas podem ser devido a perdas de policromia (maior passagem do feixe de raios X) e as regiões claras devido a presença de pigmentos com elementos com alto número atômico como o chumbo - branco de chumbo, ouro - folhas de ouro, etc. (dificuldade da passagem do feixe de raios X). Em alguns casos a radiografia permite também a analise das características da tela (trama, etc.)

    Nas analises de Radiografia digitalizada utilizou-se detector do tipo “Image Plate” que é um tipo de detector bidimensional que possui fósforo que é fotoestimulável pela passagem da radiação X. A imagem formada do objeto irradiado no detector é captada em um scanner especial que converte a imagem em sinal digital que é transferido ao computador de tal forma a obter a imagem digitalizada.





Veja as imagens das análises de imageamento da pintura realizadas na obra "A Adivinha" de Achille Funi.

Da esquerda para a direita, na parte superior, temos as imagens obtidas por meio das técnicas de radiografia digitalizada, reflectografia de infravermelho e fluorescência visível com radiação ultravioleta. Arraste-as para dentro da imagem na parte inferior e a imagem obtida por meio de fotografia visível irá aparecer.

Veja animação Imagens em alta resolução



Arqueometria: Ciência à Serviço da Arte

Técnicas não Destrutivas de Análise da Pintura

Profa. Dra. Márcia Rizzutto (IF USP)
Elizabeth Kajiya (IF USP)
Pedro H. O. V. Campos (IF USP)

Sobre as técnicas não destrutivas de análise da pintura, podemos dizer que no campo das ciências aplicadas às pesquisas sobre os bens culturais, são muito amplas e seus objetos, muito variados. Trabalhos interdisciplinares vêm contribuindo cada vez mais nesta área, resultando em diagnósticos precisos, caracterizando os materiais utilizados pelo artista, período ou escola, bem como as técnicas de execução, criação, desenhos subjacentes, intervenções de restauro e autenticidade da obra. Com o conhecimento da composição dos materiais e da tecnologia empregada na fabricação dos bens culturais é possível elaborar meios e métodos para melhor conservação da obra.

Os exames científicos empregados neste trabalho são classificados por técnicas não destrutivas e/ou exames de superfície, baseiam-se em processos de interação da radiação eletromagnética com a matéria pictórica, e incluem técnicas fotográficas que são: luz visível, fluorescência visível com radiação de ultravioleta (UV), reflectografia de infravermelho (IR, do inglês, infrared) e fluorescência de raios X. Com as análises individuais de cada técnica e suas respectivas particularidades, podem-se obter informações correlacionadas que permitem melhor caracterizar o objeto em estudo.