Coleção Carlo Cardazzo, Veneza/Milão

O editor de livros de artista e colecionador veneziano Carlo Cardazzo (1908-1963) começa a formar sua coleção no final dos anos 1920. Abriu sua primeira galeria (Il Cavallino) em Veneza, em abril de 1942, depois do enorme sucesso alcançado por sua coleção em duas mostras de destaque no ano anterior. Uma seleção de 100 obras de sua coleção foi exposta em abril de 1941 na Galleria d'Arte di Roma (galeria do sindicato nacional fascista dos artistas italianos), e depois exibida numa grande mostra de coleções privadas em Cortina d'Ampezzo, no norte da Itália, quando ele recebeu um prêmio do ministério de educação nacional pela alta qualidade de sua coleção. Com o fim da II Guerra Mundial, em 1945, Cardazzo encerra as atividades de sua galeria veneziana, entregando-a aos cuidados do irmão Renato, e abre uma nova galeria em Milão. Apesar da situação de penúria do território italiano no imediato pós-guerra, as atividades de sua galleria Il Naviglio são bastante prósperas e viriam a se tornar referência para as novas tendências e vertentes da arte italiana ao longo da década de 1950. A galeria Il Naviglio será assim o grande centro promotor do abstracionismo italiano, nos anos 1950, e contará com o apoio da valiosa amizade entre Cardazzo e a colecionadora e galerista norte-americana Peggy Guggenheim na divulgação da arte italiana no exterior.

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Coleção Carlo Peroni, Como

Pouco se sabe sobre a coleção de Carlo Peroni e de suas atividades junto ao meio artístico milanês. Trata-se de um industrial da elite milanesa, que também constituiu uma coleção significativa de arte moderna italiana e usou de sua influência no apoio a alguns artistas perseguidos pelo regime fascista - caso, por exemplo, de Aligi Sassu. É certo ainda que foi próximo à crítica Margherita Sarfatti, e as suas famílias frequentavam-se sobretudo nos períodos de verão, quando estavam em suas respectivas vilas de veraneio às margens do lago de Como.

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Coleção Alberto della Ragione, Gênova (hoje em Florença)

Engenheiro e empresário, Alberto della Ragione (1892-1973) era inicialmente um aficionado dos artistas napolitanos do século XIX. É depois de sua visita à I Quadriennale di Roma, em 1931, que ele se interessa pela arte moderna italiana. Começa, ali, a constituir sua coleção modernista através de uma permuta com o galerista Vittorio Barbaroux, de Milão: em troca de sua coleção de século XIX, recebe de Barbaroux obras de De Pisis, Carrà, Campigli, Morandi e Sironi. Em 1938, através do mesmo Barbaroux, adquire entre outras obras, o famoso "Autorretrato" de Amedeo Modigliani. Sua coleção de arte moderna seria apresentada na mostra de coleções privadas de Cortina d'Ampezzo, em 1941, quando lhe é dado o título de patrono das arte e ele vence o prêmio de melhor coleção de arte nacional. Nesses mesmos anos, tem um papel importante no apoio aos jovens artistas do chamado grupo Corrente - formado por artistas anti-fascistas. Em 1969, um conjunto de aproximadamente duzentas obras de sua coleção são doadas à cidade de Florença, por intermédio do crítico Carlo Ludovico Ragghianti.

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Coleção Riccardo Gualino, Turim

O industrial Riccardo Gualino (1879-1964) angariou uma das mais importantes coleções de arte antiga e moderna da Itália das primeiras décadas do século XX. Começou a colecionar a partir de 1912. Depois do fim da I Guerra Mundial, conhece Lionello Venturi, que o ajudará a formar sua coleção de arte moderna. Da colaboração entre os dois, Gualino reúne um conjunto notável de obras modernistas, muitas vezes encomendadas aos artistas. Com sua prisão decretada pelo Regime fascista em 1929, suas coleções são levadas a leilão. O famoso "Autorretrato" de Amedeo Modigliani vai a leilão na terceira edição de vendas de sua coleção, em 1934, passando posteriormente às mãos de outro grande colecionador daqueles anos, Alberto della Ragione.

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Coleção Rino Valdameri, Roma

Sobre as atividades do advogado Rino Valdameri, também se conhece pouco. Além de ter formado uma coleção importante de arte moderna italiana, exposta na Galleria d'Arte di Roma, em 1942 - alcançando grande prestígio -, encontramos traços de seu envolvimento com um grande projeto editorial, na França, de reedição da "Divina Comédia" de Dante Alighieri, no inícios dos anos 1930, para a qual se encomendariam as ilustrações de um nome importante da arte moderna italiana. "A Madalena" de Piero Marussig, exposta na mostra de sua coleção em 1942, havia sido também apresentada na Bienal de Veneza de 1938.

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Uma Coleção de Coleções

Podemos dizer que a coleção de pinturas italianas que o casal Matarazzo adquiriu para o núcleo inicial do acervo do antigo Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) foi formada a partir da aquisição de obras que vieram de coleções privadas importantíssimas na Itália do entreguerras.

Apontamos nessa seção as obras que já foram identificadas como tendo sido parte dessas coleções, bem como procuramos apresentar quem eram os colecionadores por trás dessas obras.